O preenchimento facial e a harmonização orofacial estão entre os procedimentos estéticos mais procurados atualmente, muitas vezes vistos como "simples" por serem minimamente invasivos. Na prática, envolvem técnica apurada e riscos reais — e quando algo dá errado, as consequências podem ser sérias e, em alguns casos, permanentes.
Complicações que podem indicar falha no procedimento
- Necrose tecidual por oclusão vascular (interrupção do fluxo sanguíneo pela aplicação do produto em local ou volume inadequado);
- Embolia, incluindo casos graves de comprometimento da visão quando o preenchedor migra para vasos da região ocular;
- Granulomas e nódulos causados por técnica inadequada ou produto de procedência duvidosa;
- Infecções no local da aplicação;
- Assimetrias e resultado muito distinto do planejado;
- Migração do produto para áreas não desejadas do rosto.
Quem pode legalmente realizar o procedimento
Um ponto frequentemente ignorado pelos pacientes é que nem todo profissional está habilitado a aplicar preenchedores ou realizar harmonização orofacial. Em geral, esses procedimentos são atos que exigem formação e habilitação específicas — médicos, cirurgiões-dentistas dentro do seu campo de atuação, e biomédicos com habilitação específica reconhecida pelo respectivo conselho de classe. A realização do procedimento por profissional não habilitado, ou fora dos limites de sua habilitação, pode configurar exercício irregular da profissão e reforçar a responsabilidade em caso de dano.
A regulamentação sobre quais profissionais podem realizar cada tipo de procedimento é técnica e pode mudar por resolução dos respectivos conselhos — vale confirmar a habilitação específica do seu caso com um advogado.
Complicações vasculares são emergências médicas
Sinais como dor intensa e desproporcional, mudança de coloração da pele (esbranquiçada ou arroxeada), ou alteração da visão logo após a aplicação de preenchedor podem indicar uma complicação vascular grave, que exige atendimento médico de urgência para tentar reverter o quadro. Se você ou alguém próximo apresentar esses sinais, procure atendimento médico imediatamente — a documentação jurídica do caso pode e deve vir depois.
Reunindo provas do que aconteceu
- Fotos e vídeos do antes, da evolução da complicação e do resultado final;
- Nome do produto utilizado e, se possível, comprovação de sua procedência e registro sanitário;
- Prontuário e ficha de anamnese preenchida antes do procedimento;
- Comprovante de que o profissional é habilitado para o procedimento realizado;
- Conversas com a clínica sobre o que foi prometido e sobre o atendimento após a complicação.