Observatório dos Tribunais Superiores
Súmula 284 do STF
A Súmula 284 do STF estabelece que o recurso extraordinário não é admitido quando a fundamentação é deficiente e impede a exata compreensão da controvérsia. Incide, portanto, quando o recurso não indica com clareza qual dispositivo constitucional foi violado e por qual razão, deixando o tribunal sem elementos para delimitar a questão discutida.
Enunciado oficial
É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia.
- Situação
- vigente
- Órgão
- Plenário
- Fonte
- STF, Aplicação das Súmulas no STF
Em português claro
O que a Súmula 284 quer dizer na prática?
O recurso extraordinário é o recurso dirigido ao Supremo Tribunal Federal para discutir ofensa à Constituição. Por ser um recurso de fundamentação vinculada, ou seja, que só pode ser usado nas hipóteses previstas no texto constitucional, exige que a parte diga de forma precisa qual norma constitucional foi contrariada e em que ponto a decisão recorrida a contrariou.
Quando essa exposição é confusa, genérica ou incompleta, o Supremo não consegue identificar o objeto da discussão. Nessa situação, aplica-se a Súmula 284 e o recurso é inadmitido sem análise do mérito, isto é, sem que o tribunal examine se a parte tem ou não razão no fundo da controvérsia.
Em que situações a súmula costuma ser aplicada?
O enunciado é acionado em hipóteses ligadas à deficiência da peça recursal, entre as quais se destacam:
- Ausência de indicação do dispositivo da Constituição que se considera violado.
- Menção a dispositivos constitucionais sem explicar de que modo a decisão recorrida os teria desrespeitado.
- Razões recursais dissociadas do que foi efetivamente decidido pelo tribunal de origem.
- Argumentação genérica, que apenas repete alegações anteriores sem enfrentar os fundamentos da decisão atacada.
- Exposição contraditória ou lacunosa, que impede delimitar qual é a questão constitucional submetida ao Supremo.
Na prática, a Súmula 284 aparece com frequência combinada com outros óbices de admissibilidade, como a necessidade de reexame de fatos e provas, vedada em recurso extraordinário, e a exigência de que a ofensa à Constituição seja direta, e não reflexa, ou seja, que não depende antes da interpretação de lei comum.
Como se distingue de outros fundamentos de inadmissão?
É útil separar a deficiência de fundamentação de outros obstáculos, porque a estratégia de resposta muda conforme o motivo apontado.
- Deficiência de fundamentação: o problema está na redação e na articulação do recurso, que não permite compreender a controvérsia.
- Falta de prequestionamento: a questão constitucional não foi debatida e decidida nas instâncias anteriores.
- Reexame de provas: a tese depende de rediscutir o conjunto fático, o que não cabe nessa via.
- Ofensa reflexa: a alegada violação à Constituição só surgiria depois de interpretar legislação infraconstitucional.
Quando a decisão de inadmissão menciona mais de um desses fundamentos, todos precisam ser enfrentados na impugnação, pois a manutenção de um só deles é suficiente para que o recurso não avance.
O que fazer quando a súmula é aplicada ao seu caso?
A aplicação da Súmula 284 não significa que a tese de fundo esteja errada. Significa que o recurso, como redigido, não permitiu ao tribunal compreender o que se discutia. A partir disso, alguns caminhos merecem análise técnica:
- Ler com atenção a decisão que inadmitiu o recurso e identificar exatamente qual deficiência foi apontada.
- Verificar se cabe agravo interno ou agravo regimental, conforme o momento processual, para demonstrar que o recurso continha a indicação clara do dispositivo constitucional e da forma da violação.
- Confrontar as razões do recurso com os fundamentos da decisão recorrida, mostrando a correspondência entre eles, quando existente.
- Conferir os prazos, que em regra são curtos e contados em dias úteis, para não perder a oportunidade de impugnação.
Como prevenção, a redação do recurso extraordinário deve nomear o dispositivo constitucional, transcrever o trecho da decisão que o contraria e explicar o nexo entre um e outro, além de demonstrar a repercussão geral da questão. Essa organização reduz o risco de inadmissão por deficiência de fundamentação.
Os números
Quantas decisões citam a Súmula 284 do STF
De 2023 a 2025, 259.592 decisões do STJ e do STF na base do Precedentes citaram a Súmula 284 do STF (dados até STJ 22/09/2026; STF 28/09/2026).
Universo: decisões do STJ e do STF na base do Precedentes (precedentes.com.br). Período: julgadas ou publicadas de 2023 a 2025 (a data é a do julgamento ou, quando ela falta, a da publicação). Critério: citação lida no texto da decisão por expressão regular; a decisão que só menciona conta igual à que aplica. Citação não é aplicação e não indica resultado do julgamento. Metodologia.
- 201753.133 (10,1%)1.131 (2,5%)
- 201855.181 (9,9%)1.214 (2,2%)
- 201963.165 (10,4%)1.030 (2,1%)
- 202058.681 (10,4%)688 (1,6%)
- 202116.477 (7,6%)1.135 (2,2%)
- 202249.481 (8,9%)1.344 (2,5%)
- 202366.411 (12,1%)1.407 (2,3%)
- 202491.316 (14,2%)1.588 (2,3%)
- 202597.221 (13,8%)1.649 (2,4%)
- 2026parcial70.954 (13,6%)1.470 (2,7%)
| Ano | STJ | % do STJ | STF | % do STF |
|---|---|---|---|---|
| 2017 | 53.133 | 10,1% | 1.131 | 2,5% |
| 2018 | 55.181 | 9,9% | 1.214 | 2,2% |
| 2019 | 63.165 | 10,4% | 1.030 | 2,1% |
| 2020 | 58.681 | 10,4% | 688 | 1,6% |
| 2021 | 16.477 | 7,6% | 1.135 | 2,2% |
| 2022 | 49.481 | 8,9% | 1.344 | 2,5% |
| 2023 | 66.411 | 12,1% | 1.407 | 2,3% |
| 2024 | 91.316 | 14,2% | 1.588 | 2,3% |
| 2025 | 97.221 | 13,8% | 1.649 | 2,4% |
| 2026 (parcial até STJ 22/09/2026; STF 28/09/2026) | 70.954 | 13,6% | 1.470 | 2,7% |
Decisões recentes que citam a súmula
STF, ARE 1.600.798 AgR-segundoSTF
STF, ARE 1.600.798 AgR-segundo, Rel. Min. André Mendonça, Segunda Turma, j. 15/9/2026, DJe 30/9/2026 · 30/09/2026
Ementa: Direito civil. Segundo agravo regimental no recurso extraordinário com agravo. Impenhorabilidade de benefício previdenciário. Mínimo existencial. Reexame de fatos e provas. Enunciado nº 279 da Súmula/STF. Negado provimento ao recurso I. Caso em exame 1. O agravo regimental foi interposto contra decisão pela…
Ver decisão no site do STFSTF, HC 276.177 AgRSTF
STF, HC 276.177 AgR, Rel. Min. Cristiano Zanin, Primeira Turma, j. 28/9/2026, DJe 30/9/2026 · 30/09/2026
Ementa: AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. REEXAME DOS PRESSUPOSOS DE ADMISSIBILIDADE DE AÇÃO OU RECURSO DA COMPETÊNCIA JURISPRUDENCIAL DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. INVIABILIDADE. AGRAVO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. I. Caso em exame 1. O paciente “[...] foi condenado pela prática do delito…
Ver decisão no site do STFSTF, HC 276.628 EDSTF
STF, HC 276.628 ED, Rel. Min. Cristiano Zanin, Primeira Turma, j. 28/9/2026, DJe 30/9/2026 · 30/09/2026
Ementa: EMBARGOS DECLARATÓRIOS CONHECIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. TRÁFICO DE DROGAS. WRIT IMPETRADO CONTRA DECISÃO MONOCRÁTICA DO MINISTRO PRESIDENTE DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. AGRAVO AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO. I. Caso em exame 1. Paciente condenado “[...] às penas de 6 anos, 9 meses e…
Ver decisão no site do STFSTF, HC 276.241 AgRSTF
STF, HC 276.241 AgR, Rel.ª Min.ª Cármen Lúcia, Primeira Turma, j. 28/9/2026, DJe 30/9/2026 · 30/09/2026
EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. PENAL. PECULATO. AUSÊNCIA DE CONTRARIEDADE AO INC. IX DO ART. 93 DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. TEMA 339. ALEGAÇÕES DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, CONTRARIEDADE AO PRINCÍPIO DA CORRELAÇÃO, ILEGALIDADE NA DOSIMETRIA DA PENA E NA FIXAÇÃO DO REGIME INICIAL SEMIABERTO…
Ver decisão no site do STFSTF, HC 276.602 AgRSTF
STF, HC 276.602 AgR, Rel. Min. Cristiano Zanin, Primeira Turma, j. 28/9/2026, DJe 30/9/2026 · 30/09/2026
Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. DIREITO PENAL. PACIENTE DENUNCIADA PELA SUPOSTA PRÁTICA DO CRIME DE DESCAMINHO. PRETENSÃO DE APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO PELO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. AUSÊNCIA DE EXAME DO MÉRITO DA TESE DEFENSIVA. IMPOSSIBILIDADE…
Ver decisão no site do STF
Perguntas frequentes
Dúvidas comuns sobre a Súmula 284 do STF
A Súmula 284 significa que perdi o direito discutido?
Não. Ela impede a análise do recurso por falha na sua fundamentação, sem julgar quem tem razão no mérito. O efeito prático é que a decisão anterior permanece, o que pode encerrar a discussão naquele processo caso não haja impugnação cabível e bem-sucedida.
É possível corrigir o recurso depois de apontada a deficiência?
Não se admite emendar as razões já apresentadas. O que existe é a possibilidade de impugnar a decisão de inadmissão, demonstrando que o recurso já continha a indicação clara da norma constitucional violada e do modo da violação.
A súmula vale também para o recurso especial no STJ?
O enunciado é do Supremo e trata do recurso extraordinário. O Superior Tribunal de Justiça aplica raciocínio semelhante quanto à fundamentação deficiente no recurso especial, com base em entendimento próprio, e não nesta súmula.
Basta citar artigos da Constituição para evitar a Súmula 284?
Não. A simples menção de artigos, sem explicar de que forma a decisão recorrida os contrariou, continua caracterizando fundamentação deficiente. É necessário relacionar o texto constitucional invocado ao ponto específico do julgado questionado.
A súmula continua sendo aplicada atualmente?
Sim. O enunciado está vigente e é utilizado como fundamento de inadmissão, muitas vezes em conjunto com outros óbices, como a vedação ao reexame de fatos e provas e a exigência de ofensa direta à Constituição.
Como citar
Schwab Alonso Advogados, Observatório dos Tribunais Superiores, Súmula 284 do STF. Dados: Precedentes (precedentes.com.br), base até STJ 22/09/2026; STF 28/09/2026. Disponível em: https://schwabealonsoadv.com/tribunais-superiores/sumulas/sumula-284-stf.
Os números desta página estão no arquivo CSV do Observatório. Veja também a página de dados no Precedentes.
Conteúdo informativo elaborado pela equipe do Schwab Alonso Advogados. Autores: João Pedro Schwab Sampaio (OAB/DF nº 83.647) e Marisa Alonso (OAB/DF nº 2.916).
Dados atualizados em 30/09/2026. Decisões na base até: STJ 22/09/2026; STF 28/09/2026.
Este conteúdo não substitui a análise individual do seu caso. Citação não é aplicação: a contagem inclui decisões que apenas mencionam o enunciado e não diz se o recurso foi ou não provido. Como os números são contados.
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